Setembro Amarelo

Comportamento suicida: conhecer para prevenir

Casos suicidas ou matérias relacionadas a um mesmo suicídio está diretamente ligado
ao aumento da taxa de suicídio. O mesmo estudo ainda aponta que matérias sobre indivíduos
que relataram ideação suicida sem consumar o fato estão associadas à diminuição das taxas
de suicídio. Ou seja, o impacto das notícias sobre suicídio não é sempre negativo: falar sobre
casos de superação das adversidades pode ajudar a prevenir.

Segundo dados da OMS, mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano em todo
o mundo, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos, sendo que a cada três segundos
uma pessoa atenta contra a própria vida. Por isso, milhões de pessoas são afetadas por casos
de suicídio a cada ano, incluindo o luto.
Estudos indicam que cada caso de suicídio tem sério impacto na vida de pelo menos outras
seis pessoas de forma direta. Sentimentos ambivalentes são comuns em relação ao ente
querido que faleceu de suicídio, como luto, raiva, culpa e outros. É importante aceitá-los como
naturais, conversar com familiares e amigos, além de buscar atendimento médico
e/ou psicológico, se necessário.
Em 2012, o suicídio foi a segunda maior causa de morte entre os 15 e 29 anos de idade,
em todas as regiões do mundo. 75% dos suicídios ocorridos no mundo, no mesmo ano,
foram em países de baixa e média renda. Também em 2012, o suicídio foi responsável
por 1,4% de todas as mortes no mundo, tornando-se a 15ª causa de morte.

NO BRASIL, A CADA DIA, 32 PESSOAS SE SUICIDAM
Coeficientes de mortalidade por suicídio são estimados em número de suicídios para cada
100 mil habitantes, ao longo de um ano. O do Brasil gira em torno de 11,4 (15 em homens;
8,0 em mulheres). Esse índice pode ser considerado baixo, quando comparado aos de outros
países. O leste da Europa, por exemplo, possui coeficiente 27, enquanto o mundo apresenta
taxa de 14,5.

É uma triste realidade, muitas vezes encoberta pelos índices elevados de homicídio
e de acidentes de trânsito, campeões entre as chamadas causas externas de mortalidade.
Também fazem parte do que habitualmente são chamados de comportamento suicida,
os pensamentos, os planos e a tentativa de suicídio. Uma pequena proporção
do comportamento suicida chega ao conhecimento dos médicos.

Estima-se que o número de suicídios seja ainda maior do que o registrado. Devido
ao estigma, muitas declarações de óbito omitem a informação sobre suicídio, corroborando
para o não conhecimento dos números absolutos.
A assistência prestada a pessoas que tentaram o suicídio é uma estratégia fundamental
na prevenção da vida. Pacientes que tentaram suicídio previamente têm entre cinco a seis
vezes mais chances de tentar suicídio novamente, caracterizando-os como um grupo de
maior risco.

O suicídio envolve vários fatores socioculturais, genéticos, psicodinâmicos, filosóficoexistenciais e ambientais. A existência de um transtorno mental é considerada um forte
fator de risco para o suicídio. Uma revisão de 31 artigos científicos publicados entre 1959 e
2001, englobando 15.629 suicídios na população geral, demonstrou que em 96,8% dos casos
caberia um diagnóstico de transtorno mental à época do ato fatal (Bertolote e Fleischmann,
World Psychiatry, 2002). Esse foi mais um estudo científico a estabelecer, inequivocamente,
um elo entre dois grupos de fenômenos: comportamento suicida e doença mental.

Os transtornos mentais mais comumente associados ao suicídio são: depressão, transtorno
do humor bipolar, dependência de álcool e de outras drogas psicoativas. Esquizofrenia
e certas características de personalidade também são importantes fatores de risco. A situação
de risco é agravada quando mais do que uma dessas condições combinam-se, como por
exemplo depressão e alcoolismo; ou ainda, a coexistência de depressão, ansiedade e agitação.
Não se trata de afirmar que todo suicídio relaciona-se a uma doença mental,
nem que toda pessoa acometida por uma doença mental vá se suicidar, mas não se pode fugir
da constatação de uma doença mental é um importante fator de risco para o suicídio.
A causa de um suicídio (fator predisponente) em particular é invariavelmente mais complexa
do que um acontecimento recente, como a perda do emprego ou um rompimento amoroso
(fatores precipitantes).
Condições sociais, por si só, também não explicam um suicídio. Pessoas que puseram
fim à vida e que se encontravam numa dessas condições frequentemente tinham um
transtorno mental subjacente, o que aumentou a vulnerabilidade ao suicídio.
É importante estar atento aos fatores de risco, conhecê-los e saber como lidar com eles.
Os dois principais fatores de risco são a tentativa prévia e a presença de transtorno mental,
mas outros aspectos também estão diretamente ligados aos índices de suicídio:

  • Uso de álcool e outras drogas.
  • Desesperança e desespero: busca de sentido existencial, razão para viver, falta de habilidade
    de resolução de problemas.
  • Isolamento social, ausência de amigo íntimos.
  • Possuir acesso a meios letais.
  • Impulsividade

Infelizmente, muitas vezes os transtornos mentais não são detectados ou não são
adequadamente tratados. A população seria muito beneficiada se fosse informada a esse
respeito: como reconhecer uma doença mental, quais os tratamentos disponíveis, sua
efetividade e onde obter apoio emocional. Provavelmente, muitos seriam encorajados
a procurar ajuda.

Onde obter informações

Listamos alguns endereços da internet onde se encontram informações sobre suicídio
e estratégias para sua prevenção.
A Organização Mundial da Saúde lançou, na década de 90, um amplo programa de
prevenção ao suicídio. No site, encontram-se várias estatísticas dos países, bem como
manuais, já traduzidos para o Português, destinados a várias categorias profissionais e
populacionais.
O Ministério da Saúde tem informações sobre a Estratégia Nacional de Prevenção
do Suicídio, cuja portaria e publicações relacionadas podem ser acessadas. Informações
sobre mortalidade por suicídio podem ser obtidas no site do Sistema de Informações
sobre Mortalidade do DataSUS.
O Centro de Valorização da Vida é uma instituição brasileira que funciona aos moldes
de sua congênere britânica, The Samaritans.

Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria; Conselho Federal de Medicina.