Dia do Agricultor: saúde deve ser preocupação do empregador

Balcão do Trabalhador da UPF orienta sobre a importância da utilização de equipamentos de proteção individual. Cuidado aumenta a produtividade e garante qualidade de vida para empregados

Só em 2019, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), bens e serviços gerados no agronegócio contribuíram com 21,4% do PIB brasileiro, totalizando R$ 1,55 trilhão. Não é à toa que, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o setor gera um a cada quatro postos de emprego no mercado brasileiro. Isso significa que 94,4 milhões de brasileiros trabalham no agronegócio. Por sua importância, inclusive histórica, os trabalhadores da área, ganharam uma data para celebrar sua profissão: no dia 28 de julho é comemorado o Dia do Agricultor.

De acordo com a coordenadora do Balcão do Trabalhador, projeto de extensão da Universidade de Passo Fundo (UPF), professora Dra. Maira Tonial, o trabalho agrícola se desenvolve principalmente de duas formas no Brasil: a agricultura familiar, e através da empresa rural. “A primeira, seriam pequenas propriedades de até quatro módulos fiscais, em que ali sobrevivem o agricultor e sua família, se desenvolvendo econômica a socialmente. A segunda, acima de quatro módulos fiscais, visa lucro, crescimento econômico, gera empregos e tem grande importância para economia e exportação brasileira. Essa classificação se dá conforme sua produtividade”, explica.

As duas formas, conforme a professora, devem atender aos princípios de sua função social, observando a preservação do meio ambiente, a forma correta de trabalhar na terra de maneira sustentável, principalmente visando o bem-estar do agricultor e do trabalhador que nela trabalha. “Hoje existem políticas públicas voltadas para orientar, fiscalizar e incentivar a agricultura por meio de órgãos e empresas públicas. Como destaque cito a Embrapa, empresa pública dedicada à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias agrícolas”, menciona.

Com a expansão da tecnologia, a profissão de agricultor se transformou, passando por uma modernização e integração com demais setores, não apenas no que se refere a produção de produtos de consumo final, como na utilização de insumos para a sua produção, e o fornecimento de matéria prima para indústria. Para a professora, o uso dessas soluções tecnológicas, como softwares, aplicativos, novas cultivares, vacinas e fertilizantes, facilita desde o plantio até a colheita. No entanto, é preciso estar atento à exposição ocupacional desses agricultores, uma vez que é preciso utilizar meio eficazes de proteção a sua saúde. “É preciso evitar a exposição no manejo e na manipulação de produtos químicos, usados para o combate de pragas com objetivo de garantir a produtividade, por exemplo, que podem causar intoxicações e danos irreversíveis a saúde do trabalhador rural”, alerta.

Conforme Maira, esse risco reforça a importância de se fazer o uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), com certificados de aprovação, sendo obrigação do empregador fornecer e orientar sobre sua utilização. “Com isso, hoje, o agricultor além aumentar sua produtividade, e promover crescimento econômico social, também garante uma melhor qualidade de vida, para si e para seus empregados. O setor agrícola é impactante no desenvolvimento econômico, diante de sua dimensão e contribuição. Por isso, desde a agricultura familiar até o empresário rural, o qual gera muitos empregos, se impõe a utilização de tecnologias para diminuir o impacto ambiental, otimizando a agricultura e dando maior segurança a esses trabalhadores”, completa.

Balcão do Trabalhador

O projeto de extensão Balcão do Trabalhador desenvolve, entre outras atividades, ações de orientação sobre a saúde e segurança do trabalhador rural. De acordo com a professora Maira, ocorrem muitos acidentes no campo, muitos resultando em mortes, especialmente com máquinas agrícolas, porque muitos trabalhadores não dão a devida importância à segurança do trabalho no campo.  “Além disso, a gente faz um trabalho destacando a importância que as novas tecnologias têm na vida do agricultor, ou seja, como com o advento dessas novas tecnologias a vida do agricultor ficou mais fácil e consequentemente mais segura, porque ele não entra mais em contato com defensivos, com químicos, uma vez que as máquinas impedem que eles tenham esse contato”, finaliza. 

Fotos: Divulgação/Arquivo

Assessoria de Imprensa/UPF