Dezembro Laranja reforça cuidados com a proteção da pele

Em cinco anos, os tumores malignos de câncer de pele mataram cerca de 200 pessoas na região Norte do RS 

A proteção da pele deve ser feita o ano todo, mas o verão se aproxima e a exposição ao sol aumenta. Os cuidados com a proteção da pele devem ser redobrados neste período, já que a exposição solar é um dos principais fatores para o câncer de pele. O tipo mais perigoso é o melanoma, que não é o mais incidente, mas é o mais grave devido à sua alta possibilidade de metástase. A campanha nacional do Dezembro Laranja tem como objetivo principal alertar sobre os sinais do câncer de pele para diagnóstico e tratamento precoces, aumentando as chances de cura. O caso recente de câncer de pele do treinador de futebol Vanderlei Luxemburgo também chama a atenção para este tipo de câncer.

O câncer de pele é o tipo mais incidente na população brasileira, com cerca de 180 mil novos casos todos os anos. “A pele é o maior e mais extenso órgão de nosso corpo e temos amplas áreas expostas ao sol. E quanto mais clara a pele, maior sua sensibilidade aos efeitos deletérios do sol”, observa o oncologista clínico do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Dr. Alvaro Machado.

Oncologista clínico do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Dr. Alvaro Machado

A incidência desse tipo de câncer na região Sul do Brasil é alta comparada com outras partes do país.  Na região Sul, o Rio Grande do Sul é primeiro na mortalidade pelo melanoma e outras neoplasias malignas da pele, com 477 mortes em 2017 (DataSUS). No Norte do Estado, foram cerca de 200 mortes entre 2013 e 2017. “O Rio Grande do Sul e Santa Catarina são os dois estados com maior influência da descendência europeia, destacando a italiana e a alemã. Isso se traduz em pele clara, olhos claros e maior sensibilidade aos raios ultravioletas. Também devemos considerar que nossa população rural ainda é significativa e com trabalho exposto ao sol”, revela o oncologista do CTCAN.

Tipos de câncer de pele: o melanoma é o mais agressivo
Há basicamente três tipos de câncer de pele: o carcinoma basocelular, o carcinoma escamoso e o melanoma. “O carcinoma basocelular ocorre prioritariamente em áreas expostas ao sol e pode ter inúmeras recidivas locais sem metastatizar. Já o carcinoma escamoso, além das áreas expostas ao sol, tem relação com agressões crônicas à pele como cicatrizes de queimaduras, traumas e úlceras crônicas que se disseminam em estágio tardios. Por fim, o melanoma é o mais agressivo, dois pode metastatizar mesmo em estágios iniciais. Existem outros tipos de câncer de pele, mas são incomuns ou raros”, explica o oncologista do CTCAN.

Recentemente, o treinador de futebol Luxemburgo foi diagnosticado com câncer de pele. Uma das três pintas retiradas era maligna. “O caso do Luxemburgo é de câncer não-melanoma. Ele fará uma ressecção limitada da lesão. Mesmo os carcinomas basocelular e escamoso podem, eventualmente, ter maior risco de recidiva local e os fatores de risco devem ser considerados. A ocorrência de metástase nestes cânceres é incomum e muito tardia”, comenta Machado.

Como identificar um possível tumor maligno: Regras do ABCDE
O mais importante é o paciente identificar os sinais de riscos para melanoma, o mais temido. Conforme Machado, é preciso observar e acompanhar as lesões escuras, pintas e belezas (nevus) e memorizar as regras ABCDE do melanoma:
A = Assimetria: lesões assimétricas são suspeitas, enquanto lesões simétricas são mais provavelmente benignas.
B = Bordo: bordos irregulares, geográficos são sempre suspeitos, ao contrário dos bordos regulares.
C = Cor: uma cor homogênea é mais provavelmente benigna e quando há variação desde castanho claro até preto-azulado deve ser avaliado por seu médico.
D = Diâmetro: lesões maiores que cinco milímetros são sempre suspeitas.
E = Evolução: qualquer modificação (crescimento, sangramento, descamação ou prurido) em um nevus (lesões escuras) deve ser analisada pelo médico dermatologista.

Prevenção
Entre os fatores de risco estão pessoas com pele e olhos claros, exposição ao sol, câmaras de bronzeamento artificial, bebidas alcoólicas, lesões crônicas da pele como úlceras e cicatrizes de queimaduras, entre outros.

A proteção contra radiação ultravioleta é para todos os cânceres de pele. “A proteção inclui o uso de protetor solar, óculos com filtro UV, chapéus e roupas. Em pessoas de risco é importante fazer o mapeamento e acompanhamento dos nevus e lesões suspeitas, sempre lembrando da regra ABCDE”, enfatiza o oncologista.

Sintomas e tratamento
Em geral o câncer de pele não causa sintomas. O oncologista do CTCAN ressalta, no entanto, que feridas que não cicatrizam e lesões descamativas em áreas expostas ao sol devem ser consultadas com um dermatologista, bem como lesões escuras ou nevus (belezas, pintas) devem ser acompanhadas. “O tratamento é prioritariamente cirúrgico e pode curar a imensa maioria dos pacientes. O melanoma, que tem maior risco de recidiva e disseminação, pode necessitar de tratamento complementar à cirurgia como imunoterapia ou terapia alvo”, destaca Machado.

Dezembro Laranja
Dezembro Laranja é uma campanha do câncer de pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). No ano de 2019, além de conscientizar a população sobre a prevenção desde a infância, a iniciativa tem como objetivo principal alertar sobre os sinais do câncer de pele para diagnóstico e tratamento precoces, aumentando as chances de cura na grande maioria dos casos.

Assessoria de Imprensa CTCAN
Natália Fávero – Jornalista MTB nº 14.761

Fotos: Divulgação

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