Acadêmico da UPF participará de Fórum da ONU sobre empresas e direitos humanos

Elizandro Baccin será o único delegado brasileiro da área de educação a participar do evento, que ocorre em novembro, em Genebra

Elizandro Baccin, 28 anos, acadêmico do oitavo nível de Pedagogia da UPF Carazinho, é inquieto por natureza. Nascido em Chapecó, mas residente em Carazinho, Baccin revela que na infância achavam que ele tinha “alguma coisa”, pois não era normal uma criança fazer tantas coisas ao mesmo tempo e, por isso, acabava sempre de castigo na escola. Mal sabiam os educadores que toda aquela agitação era curiosidade pelo mundo, desejo de interagir e ajudar as pessoas. Entre os dias 23 e 29 de novembro, ele será o único delegado que representará a educação brasileira no Fórum anual da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos, em Genebra, na Suíça.

O desejo de infância era ser dentista, mas, influenciado por uma amiga, Baccin ingressou na área de educação. E foi realmente nessa área que o acadêmico se encontrou profissionalmente. “Com o passar do tempo, eu vi que fiz a melhor escolha, pois fui me encontrando e fortalecendo aquilo em que eu sempre acreditei – que é o poder transformador que existe dentro de cada um de nós – e, com ajuda dos professores que tive, vi também potencializar em mim esse desejo de mudança que só a educação pode fazer no mundo”, declarou o acadêmico.

A motivação em crer no poder da educação estava presente desde os primeiros passos como estudante. No tempo de escola, participou de projetos que eram voltados à área da educação. Há poucos anos, antes de morar em Carazinho, também atuou como voluntário no Paraná, em um projeto voltado para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Já quando ingressou na Universidade, uma das primeiras iniciativas foi participar em projetos de pesquisa e extensão. Tornou-se bolsista e integrou o Programa Comunidades Sustentáveis e o Mediajur (Nucleo de Mediação e Justiça Restaurativa). Uma grande experiência na vida do acadêmico. “Esse foi o momento divisor de águas na minha graduação. Comecei a ver a diferença que a extensão tem na nossa vida acadêmica. Ela nos molda, transforma, pois unimos a teoria de sala de aula com a prática através de ações diretas na comunidade em que vivemos, nos levando à reflexão, nos fazendo sempre pensar em como melhorar a nossa práxis pedagógica”, comentou o futuro pedagogo.

Foi então que, pesquisando, se deparou com o trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU). “Eu via todo aquele trabalho e sonhava um dia em participar de um desses encontros. Tudo parecia tão utópico e distante, mas o desejo sempre esteve presente dentro de mim, me fazendo pesquisar maneiras de participar de algum jeito desses fóruns mundiais”, revelou Baccin.

Desejo atendido
Em 2017, conheceu o trabalho do Instituto Global Attitude, que é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), parceira da ONU, que tem como missão conectar pessoas, organizações e governos, inspirando-os a compreender e a transformar o mundo. Depois de inúmeras tentativas de ser selecionado para o Fórum anual da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos, neste ano, ele conseguiu. “A inscrição eu fiz direto no site da Diplomacia Civil, passando por três meses de testes, com análise de currículo acadêmico e carta de motivação, dentre outras coisas. O processo foi bem concorrido e rígido. Foram mais de 80 inscrições de todo o Brasil e eu acredito que o que fez a diferença e pesou muito na escolha deles foram minhas experiências enquanto aluno extensionista da UPF”, relatou o acadêmico.

Batalha por recursos
A notícia da seleção foi informada por e-mail e a emoção tomou conta do acadêmico. Depois, iniciou a “batalha” para arrecadar recursos financeiros para participar do evento. “Comecei uma “vakinha” e uma mobilização enorme dentro da Universidade e na cidade para participar. E com ajuda de amigos, professores e da Universidade, consegui reunir o valor para participar do evento. O meu sentimento é de muita emoção e gratidão a todos que ajudaram de alguma forma para que esse sonho esteja se tornando realidade”, pontuou Baccin.

Único delegado brasileiro da área de educação
O Fórum anual da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos é o principal encontro mundial nessa área e oferece um espaço único para o diálogo entre governos, empresas, sociedade civil, grupos afetados e organizações internacionais sobre tendências, desafios e boas práticas na prevenção e no tratamento de impactos nos direitos humanos relacionados a negócios. “Eu serei o único delegado brasileiro representando a nossa educação, mas, mais do que isso, estarei levando o nome de todos que me incentivaram, os nomes dos professores que passaram na minha vida e ajudaram a ser quem sou hoje, o nome da UPF que acredita em mim e, assim como eu, procura fazer parte ativa da mudança que queremos ver no mundo”, enfatiza Baccin.

O acadêmico apresentará o artigo “Economia mundial e direitos humanos: como a educação brasileira pode ser uma ferramenta de transformação social?”. “Minha proposta para esse fórum é levar a discussão da importância dos direitos humanos para a valorização das pessoas negras e também as LGBTQIA+ no ambiente de trabalho, sabendo que esse é um assunto que precisa muito ser levantado nos dias de hoje”, observa o estudante de Pedagogia.

O Fórum é dirigido e presidido pelo Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos e organizado por sua Secretaria no Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR).

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