Câncer de ovário: um câncer ginecológico agressivo

Em julho, ocorre o mês de conscientização do câncer ginecológico. Um dos tipos é o câncer de ovário, que tem como mais importante fator de risco o histórico familiar
 
Um dos cânceres ginecológicos que mais mata é o de ovário. Mais de 3,5 mil mulheres morrem por ano vítima desse câncer, que também está ligado com o histórico familiar. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima cerca de 6 mil novos casos por ano. Esse é um dos tipos mais agressivos do câncer ginecológico, que abrange ainda os cânceres do endométrio, do colo do útero, vaginal e de vulva, que juntos matam quase 13 mil mulheres por ano.
 
O câncer de ovário é um dos tipos mais frequentes de câncer ginecológico. A incidência do estado do Rio Grande do Sul também é significativa, cerca de 500 casos por anos. Por não existir rastreamento efetivo para a doença, em 70% dos casos a neoplasia já se apresenta em estádio avançado ao diagnóstico e por esse motivo, atualmente, menos de 40% das mulheres diagnosticadas e tratadas serão curadas.
 
Fatores de risco importantes: histórico familiar e alterações genéticas
A médica geneticista do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), que atua com ênfase em oncogenética, Dra. Daniele Konzen, ressalta que entre os fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de ovário estão a idade (incidência aumenta com o avanço da idade), fatores reprodutivos e hormonais (infertilidade, mulheres que nunca tiveram filhos, primeira menstruação precoce, menopausa tardia), a história familiar (outras mulheres na família que tiveram o câncer), fatores genéticos (mutações em genes, como BRCA1 e BRCA2) e obesidade.

Daniele enfatiza que o mais importante fator de risco associado ao desenvolvimento do câncer de ovário, e também ao seu surgimento, em idade precoce, é a história familiar positiva. Além disso, os maiores riscos cumulativos vitais são encontrados em mulheres com síndromes de predisposição hereditária ao câncer, as quais geralmente são portadoras de uma mutação hereditárias nos genes BRCA1 ou BRCA2 (entre outros). “Essas alterações genéticas conferem também um risco aumentado para outros tipos de câncer como por exemplo câncer de mama, melanoma, próstata e pâncreas”, explica a médica geneticista.
 
O rastreamento precoce e o tratamento para este público são diferenciados. “Para as mulheres diagnosticadas com alterações genéticas existe a possibilidade de rastreamento precoce e intensivo, diferenciado da população geral, e até mesmo a proposição de cirurgias redutoras de risco para pacientes e familiares com mutações patogênicas, impactando também na prevenção e diagnóstico precoce de outros tipos de câncer”, observa Daniele.

Entre as novidades no tratamento para estas pacientes está a terapia alvo, que funciona agindo diretamente no tumor, preservando as células saudáveis. “O desenvolvimento recente de um conjunto de drogas de alvo molecular para o tratamento do câncer de ovário em mulheres com mutações nos genes BRCA torna ainda mais importante a precisa identificação e caracterização deste grupo específico de mulheres, aumentando as chances de cura”, destaca a médica do CTCAN.
 
A recomendação é para que todas as mulheres com câncer de ovário, independente da idade e história familiar, sejam encaminhadas para avaliação genética.

Fonte: Assessoria de Imprensa CTCAN/ Natália Fávero

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