Vestibular UPF: a pesquisa aliada à prática do campo

Grupo de pesquisa foca no desenvolvimento e na aplicação das tecnologias de informação e comunicação na agricultura. Essa é uma das possibilidades vivenciadas em uma Universidade

Desde sempre, tecnologia e agricultura andaram juntas. Hoje, com um mundo cada vez mais conectado, essa relação tem se estreitado. E foi com o objetivo de oxigenar a área da agronomia com sistemas, hardwares e softwares que nasceu o grupo de pesquisa de Modelagem e Simulação Computacional – Mosaico da Universidade de Passo Fundo (UPF). Coordenado pelo professor Dr. Willingthon Pavan, o grupo nasceu em 1999. Desde então, mantém várias parcerias, com diferentes instituições, todas voltadas para a aplicação das tecnologias de informação e comunicação na agricultura.

A partir das pesquisas desenvolvidas por professores e acadêmicos dos cursos da área da Tecnologia da Informação (Ciência da Computação, Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Engenharia de Computação) e alunos do Programa de Pós-Graduação em Computação Aplicada, o grupo busca desenvolver ferramentas que podem ser utilizadas por produtores, técnicos e pesquisadores para a tomada de decisões. Algumas dessas ferramentas são utilizadas pelo engenheiro agrônomo e mestre em Fitopatologia Paulo Roberto Vargas, que administra e presta assistência técnica à granja Capão Grande, em Carazinho, onde mantém uma parceria agrícola com a mãe e a irmã, desde 2003. A granja trabalha, basicamente, com produção de soja, milho, trigo e aveia preta.

Egresso da UPF, foi durante seu mestrado – resultado de uma parceria entre a UPF e a Embrapa Trigo – que conheceu o professor Pavan e o professor Dr. José Maurício Fernandes, que tinham interesse na eficiência de novas tecnologias. “Coloquei nossa propriedade rural à disposição dessa equipe, pois acredito na evolução da pesquisa junto às práticas de campo”, contou. Desde então, a granja mantém uma relação próxima com o Grupo Mosaico. “O grupo Mosaico vem auxiliando na tomada de decisão, fator crucial à rentabilidade das empresas rurais. O uso do Sisalert é um exemplo disso. Com a previsão de doenças no trigo, posso resolver se devo aplicar algum fungicida ou não, ou antecipar/retardar sua aplicação”, explicou Vargas.

“O agricultor precisa da pesquisa”

Na opinião do engenheiro agrônomo, essa proximidade com pesquisadores que estão na vanguarda faz com que a granja possa aplicar as novidades que estão sendo confirmadas nessas pesquisas e em breve estarão disponíveis a todos os agricultores. “É sempre um prazer recebermos aqueles que buscam o desenvolvimento de nosso país”, pontuou, lembrando que, por meio do grupo, já recebeu pesquisadores de outros países que vêm conhecer o modo como o Brasil consegue produzir com competitividade internacional. “Essa troca de informações nos permite conhecer como outros pesquisadores pensam o futuro do agro”, completou.

Para Vargas, a aliança da prática de campo com a pesquisa é essencial. “Só assim poderemos desenvolver técnicas adaptadas às mais diversas situações. Temos variabilidades climáticas, de solos, de níveis técnicos e tecnológicos, hídricas, altimétricas… O agricultor precisa da pesquisa e vice-versa. Cada produtor deve buscar as soluções para sua propriedade embasado nas pesquisas, adaptando-as às suas condições para que tenha a máxima rentabilidade no campo”, concluiu.

Da sala de aula para o campo

Acadêmico do curso de Engenharia de Computação, Samuel Dalmagro é integrante do grupo Mosaico e ajuda no desenvolvimento das pesquisas utilizadas por Vargas. Ingressou já no segundo ano do curso e, logo de cara, se identificou com a área de pesquisa do grupo. De acordo com ele, seu trabalho é desenvolver a integração entre software e hardware. “Trabalho com a comunicação entre dispositivos utilizando algum protocolo de comunicação, na troca de mensagens entre eles, envio de dados”, explicou o acadêmico, que também se envolve na produção de artigos para publicações, já com foco na continuidade dos estudos após a graduação.

Na opinião de Dalmagro, todo o conhecimento novo que é aprendido e desenvolvido e que leva trabalho e esforço sempre marca de alguma forma. E, para ele, foram várias as experiências que o marcaram ao longo desse tempo em que integra o grupo Mosaico. Experiências essas que, com certeza, farão diferença em sua formação. “Graças ao grupo, vou ter experiência e conhecimento a mais, que eu não iria ver na graduação. Aqui no grupo, estou conhecendo tecnologias diferentes, estou trabalhando em equipe e escrevendo, que é sempre necessário para alguém que queira seguir estudando”, pontuou.

Vestibular de Inverno

A possibilidade de integrar um grupo de pesquisa pode ser vivenciada pelos alunos da graduação.  Nessa perspectiva, a UPF está com inscrições abertas para o seu Vestibular de Inverno 2019. Porta de entrada da Universidade, o processo seletivo inscreve para ingresso em diferentes cursos de graduação naquela que é reconhecida como a maior instituição de ensino superior do norte do estado. Nesta edição, são 23 cursos disponíveis, nas seguintes áreas do conhecimento: licenciatura, saúde, comunicação, ciências sociais e aplicadas, engenharia, arquitetura e exatas. As inscrições devem ser feitas via internet, pelo site vestibular.upf.br, no período de 2 de maio até 4 de junho. A prova será no dia 8 de junho.



Fotos: Lauriane Agnolin e arquivo pessoal


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