Um jeito novo de cultivar a tradição

Projeto pensado pela empresa graduada na incubadora do UPF Parque em parceria com o curso de Design de Produto desenvolve um novo modelo para a tradicional cuia

Conhecida por suas propriedades funcionais, que atuam no combate ao colesterol ruim e aos triglicerídeos, tendo a função antioxidante e anti-inflamatória, a erva-mate ou Ilex paraguariensis tem ganhado espaço para além dos territórios do sul do país. Pensando nesse mercado, a empresa Inovamate, graduada na incubadora de empresas do Parque Científico e Tecnológico da Universidade de Passo Fundo (UPF Parque), juntamente com o UPFTEC e o curso de Design de Produto, desenvolve um modelo inovador da tradicional cuia de chimarrão. O novo design, chamado de Primacuia, está em fase de patenteamento e, em breve, passará para a fase de produção.

Ariana Maia, administradora da Inovamate, explica que uma das metas da empresa sempre foi apresentar novidades e diferenciais no que diz respeito a uma matéria prima tão tradicional e cultural como a erva-mate. Segundo ela, o objetivo maior é fazer com que mais pessoas, principalmente de fora do estado, tenham acesso às informações e aos benefícios da planta, consumindo a erva-mate em suas mais variadas formas. 

Para Ariana, entre as questões que impendem a difusão do chimarrão como uma bebida funcional estão a praticidade e a higiene. “Sempre tivemos a ideia de levar o mate para outros locais, fora da região sul e fora do âmbito do regionalismo do Rio Grande do Sul. Uma das questões que chamou nossa atenção era o fato de a cuia ser passada de boca em boca, o que envolve aspectos relacionados a higiene. Também, avaliamos que essa é uma cultura típica do gaúcho, que não é tão aceita por outras culturas. Então, percebemos que uma das barreiras seria a questão da cuia e da bomba”, destaca, explicando que a intenção é fazer com as pessoas possam absorver melhor a cultura gaúcha, saboreando a erva-mate e aproveitando seus potenciais.

Do pensamento para o papel

Para colocar em prática o desejo de romper barreiras culturais, a equipe pensou em elaborar um novo produto, capaz de unir a importância histórica e útil da Ilex paraguariensis. Foi então que surgiu a Primacuia.

Segundo Ariana, com o novo design da cuia, as pessoas poderão transitar sem que aja sujeira ou desperdício. “Trabalhamos a praticidade, a higiene e o aumento do consumo. O desenho pensando possibilita que, além de chimarrão, o consumidor possa também fazer chás e outras bebidas, levando a erva-mate para outros mercados, impulsionando, assim, a economia da planta na região, com foco, principalmente, nos pequenos agricultores. Vemos que as tecnologias estão aí para ajudar as pessoas a ter menos trabalho e mais prazer”, destaca.

Da ideia da empresa, nasceu a parceria com o curso de Design de Produto, o qual foi convidado a integrar o projeto pela equipe da UPFTEC. De acordo com o professor Me. Marcelo Schultz Moreira, coordenador do projeto pelo curso, a Inovamate necessitava de apoio no desenvolvimento de produto. A pesquisa, levando em consideração o tamanho e a quantidade de erva a ser utilizada, foi levada aos professores e acadêmicos como um desafio de propor um novo produto. “A participação dos acadêmicos é de extrema importância. Em uma primeira reunião, discutimos vários aspectos, necessidades e, principalmente, o desafio de propor um produto inovador, o qual iria romper paradigmas em relação à cultura gaúcha. Observou-se, ali, uma excelente oportunidade em desenvolver uma proposta de projeto envolvendo os acadêmicos do curso numa proposta real, vinculada diretamente a uma empresa”, explica Moreira, ressaltando que os acadêmicos Lucas Stein e Méllani Vaz foram os selecionados para o desafio. 

O professor Marcelo Moreira pontua que o processo de construção começou com a definição de uma metodologia de trabalho, processo de design, bem como a organização de um cronograma de trabalhos e atividades. “Nos reuníamos duas vezes por semana com discussões de ideias, avaliação da demanda apresentada pela empresa e análise das dificuldades que teríamos que enfrentar nessa caminhada. Elaborou-se assim uma metodologia, envolvendo pesquisa, seleção de materiais, estudos de formas, funcionalidade, simbologia desejada, entre outros aspectos necessários para um bom design”, ressalta.

Para ele, a parceria com a empresa foi positiva de todas as formas e permitiu a troca de experiências em prol de um objetivo comum. “As análises de produtos físicos disponibilizados pela empresa auxiliaram nos experimentos, os quais foram efetuados e analisados, com o intuito de se chegar a uma solução inovadora, criativa e de fato com diferencial competitivo para o novo produto. As análises e observações puderam nortear o projeto na solução de resultados extremamente eficientes”, destaca.

O coordenador esclarece que foram propostas várias formas, mecanismos de funcionalidades e técnicas de produção desenvolvidas pelos acadêmicos e discutidas em grupo. O projeto envolvendo pesquisas, estudos, desenhos e análises teve a duração de aproximadamente um ano e meio, tempo necessário para que o produto, sua forma e suas funções desejadas fossem alcançados. 

UPF Parque, academia, empresa, comunidade

Um dos pilares da própria Universidade, a ligação entre acadêmicos, professores, setores e comunidade foi um dos motivos da parceria. De acordo com o professor, essa troca de conhecimentos é fundamental na formação de um bom profissional. 

Para o coordenador da UPFTEC, Giezi Schneider, as parcerias firmadas são fundamentais para que o conhecimento e a prática andem conectados. “Para nós, é muito importante o estabelecimento de projetos conjuntos, com objetivos de interesse mútuo. Essa identificação potencializa o que chamamos de transferência de tecnologia, de modo que aquilo que é produzido enquanto pesquisa na Universidade é de fato produzido e utilizado pelas pessoas. 

A Universidade é uma grande apoiadora no que refere à proteção desse conhecimento. “Isso gera ganhos estratégicos para colocar o produto em produção, pois, na medida em que está protegido, isso dá segurança jurídica e técnica para a empresa que vai produzir e vender. Além disso, essas empresas contam com o privilégio de produzir algo que não poderá ser reproduzido de imediato”, disse. 

Para Lucas Stein, hoje mestrando do Programa de Pós-Graduação em Projeto e Processos de Fabricação (PPGPPF), a experiência foi enriquecedora e uma oportunidade de colocar em prática a teoria vista em aula. “Participar foi de extrema importância, principalmente pela natureza do produto, que foge bastante do comum. Dessa forma o projeto fez com que nós, os acadêmicos envolvidos, aprendêssemos a manter a mente aberta para os diferentes nichos de mercado”, frisou.

Próximos passos

Com o desenho pronto, a funcionalidade testada e as equipes sintonizadas, o grupo parte em busca de parceiros que possam confeccionar o produto, para, então, lança-lo no mercado. 

Fonte: Assessoria de Imprensa –Universidade de Passo Fundo

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