Janeiro Branco: cuidar da mente é cuidar da vida

Campanha idealizada por psicólogos brasileiros alerta para a importância de debater e difundir o conceito de saúde mental.

Simbolicamente, o mês de janeiro marca um recomeço. É nesse período que muita gente recarrega as baterias para cumprir as promessas de Ano Novo e renovam-se os planos e os projetos em busca da felicidade, realizações, conquistas, de tornar, enfim, a vida “menos pesada”.

Um grupo de psicólogos de Uberlândia (MG) criou o “Janeiro Branco”, uma campanha que aproveita o momento de reflexão e estimula as pessoas a pensarem sobre o destino de suas vidas, valorizando as emoções e dando espaço legítimo a elas.

Como os números de dependentes químicos, pessoas com depressão e ansiedade têm aumentado bastante, essa campanha alerta para a prevenção de transtornos e busca promover a chamada “psicoeducação”, que privilegia a saúde mental e auxilia as pessoas a se observarem, a respeitar os outros e a desenvolver relações humanas mais saudáveis – uma questão de necessidade e saúde pública. A escolha da cor branca como símbolo é justamente uma forma de incentivar a criação de uma cultura nacional de valorização da subjetividade humana, de forma que possamos combater estereótipos que ainda cercam e prejudicam a saúde mental. Os exemplos são muitos: gordofobia, homofobia, preconceito racial, religioso…

Como se sabe, ao contrário do que acontece por exemplo com um tratamento estético, muita gente só procura um psiquiatra depois de muito tempo de sofrimento. Quando alguém vai a uma clínica estética, essa pessoa tende a compartilhar com os amigos, comentar nas redes sociais, contar para a família. Mas quando alguém sente que a energia e a disposição baixaram e já não são as mesmas, até para evitar preconceitos e julgamentos, o “negócio” é esconder o máximo possível. Quando sentimos alguma limitação na visão, procuramos um oftalmologista, quando temos febre, vamos ao clínico, mas nem sempre a mesma lógica se aplica ao dia a dia na saúde mental. Para muitos, a premissa “não estou bem, vou ao médico”, não vale para a psiquiatria. Persiste ainda a ideia de que quando se trata da nossa vida emocional, temos a obrigação de “dar conta sozinhos”, uma vez que a procura pelo psiquiatra ainda é vista como um sintoma de fracasso emocional – resultado da incapacidade de “dar um jeito de ficar bem por conta própria”.

E quando finalmente as pessoas quebram esses preconceitos e reconhecem que precisam de ajuda, elas chegam ao consultório trazendo no rosto um sofrimento que persiste há muito tempo, associado a um misto de vergonha e até de resistência em se abrir sobre o que realmente se passa.

Parte da responsabilidade do psiquiatra é explicar a este paciente que os transtornos psiquiátricos existem e são tratáveis. É importante deixar claro que o papel desse especialista é atuar no sentido de restaurar o equilíbrio emocional, melhorar a qualidade de vida e apontar caminhos.

Janeiro Branco faz parte de um contexto de falar abertamente sobre nossos medos, frustrações, desejos, sentimentos, angústias, sonhos e planos. É possível construir uma agenda por meio da qual o preconceito e a discriminação que cercam os transtornos mentais se tornem menos frequentes.

Fonte: Terra

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