Acidente na Ers 324 tira a vida de jovem agrônomo rondaltense

Aconteceu por volta das 17 horas de hoje na Ers 324 entre  as comunidade da  Linha Santa Lúcia  e Siqueira Alta, um, acidente do tipo aquaplanagem sobre a pista, seguido de colisão, no local perdeu a vida o agrônomo Felipe Moss, que  era filho de agricultores moradores na comunidade da linha Santo Antônio Ronda Alta, Felipe trabalhava na empresa Soma de Nonoai e dirigia uma Fiat Strada de cor branca que após aquaplanar rodopiou na pista e se chocou com um caminhão, o rapaz todos os dias retornava para casa fazendo o mesmo trajéto. O Samu de Ronda Alta atendeu a ocorrência, Felipe chegou com vida no hospital ATRA , devido a gravidade dos ferimentos não resistiu e faleceu.                                                                                          Informações Rogério dos Reis

 

 

Um comentário em “Acidente na Ers 324 tira a vida de jovem agrônomo rondaltense

  • junho 11, 2017 em 4:33 pm
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    Morte de Felipe Moss tem, sim, seus culpados.

    Por quase trinta dias, choveu torrencialmente no sul do país, como todos sabemos, mas esse fato não despertou no comando da polícia rodoviária o menor interesse em fiscalizar a estrada, por cuja segurança de trânsito é responsável.
    E, então, o óbvio aconteceu: um automóvel, que trafegava pela RS 406, guiado por Felipe Moss, um jovem de vinte e poucos anos, rodopiou, ao atravessar um barral, que escorria pela pista. A colisão com uma carreta que vinha em sentido contrário foi inevitável. A morte dele também.
    Essa morte, todavia, está longe de poder ser atribuída a uma fatalidade. Há culpados, sim, e esses culpados têm dois nomes e dois sobrenomes: Polícia Rodoviária Estadual do estado do Rio Grande do Sul e seu chefe geral, o governador José Ivo Sartori.
    Não? Então, vamos lá:
    1. Onde estava a polícia rodoviária estadual?
    2. Por que não anteviu o perigo?
    3. Por que não tomou providências?
    As respostas:
    1. Estava no posto em Nonoai, abrigando-se do mau tempo, navegando na internet e tomando chimarrão. Ah, e nas réstias de sol, ocupava-se de aplicar multas.
    2. Não anteviu o perigo porque não quis se dar ao trabalho de supervisionar a via. Versados em trânsito, não era mais do que a obrigação deles identificar os pontos críticos e sinalizá-los de forma adequada.
    3. Logo, não constatou a enorme probabilidade de um acidente naquele local e, com essa negligência, permitiu a morte da vítima. “Da vítima”, no singular. Poderiam ter sido várias.
    4. Ou seja, ao invés de percorrer a estrada e proceder no sentido de garantir a segurança das pessoas, a polícia rodoviária é orientada a ficar no seu posto, abordando veículos – um atrás do outro – e aplicando multas, de forma impiedosa.
    5. Trata-se, pois, de um órgão arrecadatório de receita do cofre público gaúcho. Nada mais do que isso.
    6. Precisa ser superavitária e não deficitária. Em outras palavras, sua função – a única – é arrecadar mais do que gasta com si própria.
    7. Isso não está previsto em nenhum documento público, mas até a estátua do burrinho do Padre Manuel e Adílio sabe que é exatamente assim que funciona.
    8. Com essa performance, João, abordado no posto rodoviário estadual, acabou consertando a sinaleira do carro, José pôs os documentos em dia, Maria teve o automóvel apreendido e guinchado e o jovem de Ronda Alta repousa, agora, sob a lápide fria de uma sepultura, morto antes de completar trinta anos de idade.
    9. Pergunta-se: adiantou para nós, comunidade que trafega pela rodovia, João ter consertado a sinaleira de seu veículo? E o fato de José estar, agora, com o IPVA em dia, serviu ao interesse comunitário? Evoluímos depois que Maria pôs-se em dia com o fisco estadual?
    Resquício indelével da ditadura militar, o incontrolável desejo que todo policial tem de abordar e aplicar multas encontra num cofre público falido, como o do Rio Grande do Sul, o elo de ternura institucional com que tanto sonhava. Em outras palavras: é a união indissolúvel da fome com a vontade de comer.
    E o povo? Bem, o povo…
    No mundo dito civilizado, as polícias atuam imiscuídas do dever de proteger. A nossa alimenta a fantasia de fiscalizar e punir, flagrar e implodir o crime. De novo a estátua de Manuel e Adílio: até esse monumento sabe que nem um por cento – um por cento – das cargas roubadas, do contrabando de cigarro paraguaio e do tráfego de drogas que passa pela rodovia são interceptados pela polícia rodoviária. Repita-se pela terceira vez: nem um por cento!
    De maneira que, do ponto de vista de política de segurança pública, o trabalho deles é quase tão útil quanto uma letra de música de uma dessas duplas de cantoras gordinhas o é para a cultura brasileira. O mesmo não se diga da indústria da multa. Esta, sim, de fato, funciona. E funciona muitíssimo bem.
    Numa época em que a polícia manda um questionário de oitenta perguntas ao presidente da República, é de se ter presente que não há mais nenhum tonel de injustiça que possa haver neste país que não deva ser destampado. Acabou esse tempo. Graças a Deus.
    Por isso, convinha que nos atentássemos, nós gaúchos, à função da polícia rodoviária estadual do Rio Grande do Sul. Instada a se manifestar, sua assessoria de comunicação, é claro, oferecerá as desculpas de sempre:
    a. Operamos sob orientação de um comando. Portanto, se culpados existem – é o velho subterfúgio do estado português, burocrático e paquiderme – eles estão no Palácio Piratini e não entre nós. É a chefia do governo quem atrasa e parcela salários, limita o uso da frota, não concede reajustes adequados, deixa de pagar fornecedores e – esta a esquerda adora – trabalha no sentido de promover o completo desmonte da instituição e o absoluto desprestígio de seu quadro.
    b. Nossa função – esta também é muito recorrente – não é a de fazer consertos e, sim, fiscalizar. Tome aqui o número do DAER e ligue para eles. Daqui a cem anos, talvez duzentos, eles aparecerão para resolver o problema.
    c. E, por último, aquela balela mambembe: trabalhamos para diminuir a violência no trânsito e os dados mostram blábláblá…
    Tudo isso é conversa fiada, valendo frisar que não se defende aqui que a polícia conserte a estrada, mas, sim, que a polícia fiscalize a estrada e percebendo um local potencialmente perigoso – como foi o caso do barro escorrendo sobre a via – trate de sinalizá-lo, de modo que os motoristas tenham condições de redobrar a atenção nesses pontos.
    Pelo amor de Deus, essa é a coisa mais óbvia do mundo a um policial rodoviário europeu ou americano. Aqui – por incrível que pareça – essa prática não faz parte do cotidiano da nossa polícia. O dever da polícia rodoviária – até pela acepção do termo – é, sim, rodar pela via, pôr placas de sinalização em locais perigosos, instruir, orientar e, por último – e se der tempo – verificar documentações e cargas.
    Enquanto não nos atentarmos para isso, continuaremos a juntar corpos de pessoas no asfalto. A lógica, infelizmente, é sempre muito implacável.

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