Após ataque, veterinário alerta que macaco não transmite febre amarela

Macacos se comportam como sentinelas da febre amarela, diz veterinário.
Bugios que teriam sido feridos por humanos são tratados pelo GramadoZoo

Um alerta epidemiológico sobre a febre amarela, emitido pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul (Cevs/RS) nesta semana, traz recomendações de controle e vacinação aos municípios gaúchos. Isso foi motivado por um surto da doença no Sudeste do Brasil.

A Secretaria Estadual de Saúde lembra que a última vez que a doença foi registrada no Rio Grande do Sul foi entre os anos de 2008 e 2009. Naquela ocasião, nove pessoas morreram em decorrência da doença. Alguns macacos também foram infectados.

“Os macacos se comportam como sentinelas da febre amarela. A doença é transmitida por mosquitos. Mesmo doentes, os macacos não têm a condição de infectar. Apenas os mosquitos têm”, esclarece o veterinário Marcelo Cunha.

Por isso, os macacos são um sinalizador para alerta da doença, e não um transmissor. “Os macacos são afetados antes dos seres humanos. Como os animais estão nas matas, mais expostos aos mosquitos, eles são mais sensíveis. Quando um macaco aparece doente, isso é um sinal que nós humanos estamos expostos também”, explica.

Um dos bugios está em tratamento e outro morreu ao chegar no zoo (Foto: Reprodução/RBS TV)Um dos bugios está em tratamento e outro morreu
ao chegar no zoo (Foto: Reprodução/RBS TV)

O veterinário Marcelo Cunha trabalha no GramadoZoo, na Serra. Na última semana, dois bugios com ferimentos,  aparentemente causados por humanos, foram encaminhados ao zoológico.

Os veterinários e biólogos suspeitam que as agressões tenham sido feitas por moradores de proximidades da região, após uma relação precipitada entre os macacos e a febre amarela.

Conforme o veterinário Marcelo Cunha, “foi uma coincidência muito grande” dois macacos terem sido feridos depois da notícia da morte de dezenas de animais por suspeita de febre amarela no Sudeste do país. O primeiro bugio, vindo de Nova Petrópolis, foi levado ao zoológico no dia 9 de janeiro.

“Ele tinha ferimento cortante na mão direita, e tinha no olho direito uma dilaceração muito grande. Felizmente, não atingiu o olho. Esses não são ferimentos de briga característica entre eles. Agora, o bugio está se recuperando bem. Ele é um adulto de idade avançada”, explica Cunha.

O segundo bugio era jovem e foi levado ao zoo, no dia 12, e era da mesma região do macho adulto. “Ele foi ferido com tiro de chumbinho, e não sobreviveu. Tinha quatro marcas de tiro. Ele passou pelos atendimentos e não aguentou, morrendo no mesmo dia que chegou”, afirma a bióloga Tatiane.

Se outros macacos machucados forem encontrados, é necessário acionar a Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) ou a Patrulha Ambiental. Mais uma vez, o veterinário lembra: “mesmo doente, o bugio não vai contaminar ninguém, ele é apenas um sinalizador da doença, por isso é importante localizá-lo”.

De acordo com a Fiscalização Ambiental de Nova Petrópolis, os bugios estão entre as espécies ameçadas de extinção no Rio Grande do Sul devido à destruição de seu habitat natural, à caça e ao comércio clandestino. “Estes fatores agravam o estado de conservação desta espécie, que serve de sentinela para a febre amarela”, pontuou a fiscal ambiental, Cássia Hoffman.

Fonte: G1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *