Pesquisa inédita mostra que ainda há muita desinformação sobre o câncer 

Um em cada quatro brasileiros não faz exames preventivos contra o câncer e apenas 26% dos entrevistados acreditam entender profundamente sobre o tema

Um levantamento inédito sobre o câncer feito pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) mostra que ainda há muita desinformação sobre a doença. A pesquisa “Panorama sobre grau de informação, hábitos e atitudes do brasileiro em relação ao câncer” foi divulgada no final do mês de outubro e ouviu 1,5 mil pessoas em 26 estados brasileiros. Os resultados da pesquisa apontam que a maior parte das pessoas tem pavor em grau máximo da doença (41%), mas ao mesmo tempo não procuram fazer a prevenção: um em cada quatro brasileiros não faz exames preventivos contra o câncer.

A pesquisa revela que apenas 26% dos entrevistados acreditam ter conhecimento pleno sobre o câncer. Os tipos mais conhecidos são aqueles presentes em campanhas como o de mama, pulmão, próstata e pele, mas faltam informações em relação aos tipos com maior incidência como o de intestino grosso, esôfago, colo do útero e estômago por exemplo. Além disso, a população ignora possíveis sinais e sintomas da doença (9% – inchaço localizado/crescimento de caroço; 21% – sangue nas fezes; 22% – perda de peso (fora da dieta); 23% – sangue na urina; 26% – dor de estômago).

O levantamento aponta, portanto, que as pessoas acreditam na cura do câncer, por meio da radioterapia (81%), combinação de tratamentos que já existem (79%), fé (78%), habilidade dos cirurgiões (74%), atenção dos médicos (73%) e medicamentos (73%).

Medo do câncer e a falta de exames preventivos
Um dos dados mais relevantes mostra que grande parte das pessoas, 41%, tem muito medo do câncer e um em cada quatro brasileiros não faz exames preventivos contra a doença. Isso é muito preocupante na opinião do oncologista clínico do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Alvaro Machado. “Ainda tem o estigma de doença incurável e que traz grande sofrimento. Isso assusta. Mas não mobiliza as pessoas a tomarem atitudes no sentido da prevenção e identificação dos fatores de risco a que estão expostas. Exames rotineiros são fundamentais para o diagnóstico precoce, sinônimo de chance de cura”, comenta o oncologista clínico.

Muitos motivos são citados como justificativa para a não realização dos exames preventivos: ausência de plano de saúde (29%), falta de tempo (28%), não considerar necessário a realização dos exames preventivos (20%) e o medo de descobrir a doença (11%). Esses dados impressionam. “Existem fatores estruturais como serviços públicos insuficientes e deficientes, mas falta a cultura da prevenção e, especialmente, a falta de conhecimento. A ignorância sobre o tema gera condutas errôneas como, por exemplo, não fazer exames para não ‘encontrar’ doenças”, comenta Machado.

Os homens costumam cuidar menos da saúde. “As mulheres têm o hábito de consultar seu ginecologista desde a adolescência. Os homens vão ao médico apenas quando já estão doentes”, salienta o oncologista clínico.

Sedentarismo
A falta de exercícios físicos apareceu na pesquisa: 49% dos entrevistados não fazem atividades físicas. As pessoas também não costumam associar a obesidade ao câncer. Um em cada quatro entrevistados não acha que a obesidade seja um problema. Conforme o oncologista clínico do CTCAN, a obesidade é um dos principais fatores de risco para a doença. “Sedentarismo é fator de risco para inúmeros cânceres. Junto com o sobrepeso e a obesidade, já é a principal causa de câncer nos Estados Unidos, segundo boletim do Centro de Controle de Doenças dos EUA. A lista é imensa. A OMS informa que um terço de todos os cânceres no mundo são secundários a alimentação, sedentarismo, obesidade, tabaco e álcool. Sabemos que cerca de 10% são secundários a infecções como HPV. Tudo isso é passível de prevenção”, informou Machado.

As pessoas também não costumam associar as doenças sexualmente transmissíveis ao câncer. “Várias infecções causam câncer. Especificamente o HPV e a hepatite B, que causam câncer do colo do útero e fígado, por exemplo, são transmitidas por via sexual e podem ser evitadas. As vacinas contra HPV e contra hepatite B conferem imunidade evitando a infecção e, consequentemente, o câncer”, salientou o oncologista clínico.

Fonte: CTCAN – Centro de Tratamento do Câncer

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